Olhos que brilham feito cristal
Uma linha tênue entre o bem e o mal
O andar furtivo de um caçador
E no peito a chama em seu pleno ardor
O risco é claro, é perigoso e feroz
É um grito agudo, sem nenhuma voz
Poderia eu me entregar sem ceder
Ao vício que estás a me oferecer?
De todas os pecados, eis o mais doce
"Não me envolverei", antes fosse...
Poderia eu apenas me contentar
Em ter-te aos poucos, sem te tocar?
A voz que surge em minha mente
E me alerta sempre, veementemente
Poderia eu, simplesmente escutar,
Quando o que desejo é apenas ignorar?
Dos mares longínquos ao infinito céu
Conto estrelas com sublime esplendor
Jaz aqui o pecado, assumido réu
Eis ao me lado, como antigo credor
O preço é alto, disso eu sei
Impagável é até para um rei
E surge entre a coragem e o medo
O mais simples e terno desejo
Em minha torre, além do continente
Ouço aquela voz, sempre insistente
Que me implora para não transbordar
Mas o que faço eu, se sou puro mar?