Ao som das notas que o vento cria, debaixo daquela árvore eu me sentei,

Viajei em pensamentos e dos conceitos da sociedade eu me libertei...

Ao som das notas que o vento cria, na minha mente sigo a melodia,

E encontro na carcaça do bicho homem só orgulho e grande tirania...

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

O mais doloroso de todos os sentimentos: o amor

As pessoas acham que ele dura para sempre
E de fato, ele deveria durar
Ninguém começa um relacionamento pensando no fim dele
Quem assim o faz, não quer estar naquele relacionamento

Quando você se envolve, você se entrega
Você abre o coração, o corpo e a alma
Você põe pra fora tudo o que há de melhor
E você não espera o melhor em troca
Porque o amor é isso, dar sem a pretensão de um dia receber

E a gente ama, intensamente, como se não houvesse amanhã
E no fim das contas não há
A gente quer acreditar o tempo todo que vai ser pra sempre
E a gente vive cada segundo pra compensar
Porque o sentimento muda, as pessoas mudam

Muitas vezes ele dura, pra sempre mesmo
Mas só no coração de uma pessoa
A outra pessoa não ama mais, e você precisa deixar ela ir

E como é difícil!
Deixar ir, abrir mão, desejar a felicidade mesmo nos braços de outra pessoa

E dói.
E dói muito!
E só quem passa ou passou por isso entende.
Nada de "você vai superar", "a gente pode ser amigos".
Tudo dói. Cada lembrança dói.

O que fica é um coração partido
Tão partido que parece aqueles pratos sabe
Que quando quebram se despedaçam em tantos pedaços,
Que se passam semanas e você ainda encontra um caquinho, debaixo de algum lugar
O coração para. Endurece.
"Amor de novo? Deus me livre! Sofrer pra quê?!"
Porque amor é sofrimento
Amor é doação
Amor é tudo
Amor é nada

Na adolescência, quando a gente "ama" tem aquela intensidade,
Quando termina é aquele caos
Mas a vida que segue
Porém, quando a gente é adulto, a gente ama mesmo
A gente ama daquele jeito que incomoda
Daquele jeito que perturba, que tira a paz, o sono
E quando termina, a vida termina
Porque ele leva tudo embora, não deixa nada, só um vazio
Porque a vida só tinha sentido com aquela pessoa
Porque sem aquela pessoa, viver pra quê?

Amar na adolescência é gostoso
A gente descobre o outro e a gente descobre a gente
Amar na adolescência é como tomar sorvete com muita pressa
Da uma boa dor de cabeça, mas passa, e logo a gente quer fazer de novo.

Amar na idade adulta é perigoso
A gente vai com cautela, com medo, muito medo
Porque na idade adulta a gente não toma mais sorvete
A gente não quer sofrer e tentar de novo
Na idade adulta a gente quer um porto onde possa atracar
Um colo onde possa deitar
Um ombro onde possa chorar
Uma companhia que nunca vá embora

Crescer é difícil, é cruel. Amar é tão duro quanto crescer.

J.R.C


  

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Por quanto tempo

De quanto em quanto tempo
Em meio a tanto lamento
Com toda possível clareza
Num mar de pura incerteza
Os olhos cruzam o céu
E os planos perpetuam em papel


De quanto em quanto tempo
Uma vez, ou a todo momento
Vivendo de forma inconstante
Com a alma quebrada, suplicante
Em infinita contradição
Com os pés fincados no chão


Por quanto, quanto tempo
Com medo, em desalento
Invejando quem domina o céu
Se culpando, sendo cruel
Com receio da única verdade
Que ignora por pura vaidade

Por quanto, quanto tempo
Ainda viverá ao vento
Sem uma casa, sem um lar
Por achar que não deve amar

Por quanto, quanto tempo
Chorará sem qualquer acalento
Por quanto, quanto tempo
Viverá em pleno sofrimento


A.C.




segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Filosofando em 3, 2,1 ...

Andar em frente, escolher o próprio caminho, tomar as próprias decisões.

Viver não deveria ser difícil, não deveria ser doloroso. 

Quantos dias você já perdeu imaginando a sua vida de forma diferente?

O mundo da fantasia é sempre mais atraente, e ninguém sabe explicar o motivo.

As pessoas usam desculpas dizendo que a vida é complicada, que é mais fácil sonhar.

Mentira. É mais fácil agir, dizer, fazer e pronto! Se não der certo, uma pena, se deu, que ótimo!

Sonhar custa tempo, custa energia, custa disposição. 

Custa também a felicidade, porque a gente se entristece quando sonha com algo impossível.

Mas será... Que é mesmo impossível?

Ás vezes é só medo, pouca coragem, mas não é impossível. 

Impossível é uma palavra cruel demais pra quem se dispõe a sonhar todos os dias.

O primeiro passo sempre será o mais difícil, o início da subida sempre o mais exaustivo, mas se existe vontade, então existe um jeito! 

Vontade! Tudo começa por aí! Sem vontade não se pode nem mesmo respirar! 

As pessoas se podam todos os dias, porque acham que não deveriam querer certas coisas.

E sempre dizem: "Eu não posso" - Camuflando um "Eu quero!".

"A sociedade é que não aceita, porque a sociedade..." - Mas nós somos a sociedade! Qual o sentido nisso???

A culpa é nossa, e sempre nossa. Seja por pouca coragem, seja por medo. 

Assumir a própria culpa é o primeiro passo para mudar a direção, deixar de subir morros infindáveis e encontrar uma pequena estrada de flores, perfumada com a vontade que quem sabe que, se não se arriscar, nunca vai sair do lugar.

Arrisque-se e tenha coragem para se mover!

terça-feira, 5 de junho de 2018

Não deveria

Não deveria

Não poderia durar
Não deveria
Mesmo que uma parte enorme minha gritasse por isso
Não deveria
Mesmo que estivesse disposta a errar e tentar
Não deveria
Por mais que machuque agora, e machucará amanhã
Não deveria
Se fosse esperta, desde o início saberia
Que algo assim jamais teria como acontecer
E mesmo assim, era o que mais queria

Meu arrepio

Meu arrepio

É um arrepio doce que atinge a espinha
Um arrepio que toca a pele e deixa o rubor
Como se o peito apertasse, o coração definha
E bate descompassado feito um tambor

Definha porque sofre a insistência de resistir
Enquanto o corpo grita e o desespero o destrói
Com o desejo que embebeda feito elixir
E padece complacente pela falta que corrói

Os olhos procuram ao longe mesmo sem perceber
Os pés caminham perdidos mesmo sem encontrar
Talvez pudesse, com sorte, não querer
Mas não há nada que supra este ansiar

Sem que perceba tornou-se cativo
Um coração que bate perdido

E bate, com medo e fervor
Ansioso por tanto torpor

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Engaiolados

Engaiolados

Poderia então
Um pássaro engaiolado 
Desprovido de alegria
Sentir o peito queimar em vida
Com o simples piar de uma esperança
Que canta uma canção triste
Em uma gaiola ao lado?

Pois, se pode então
A esperança lhe tocar tão fundo
Que essa esperança possa
Mesmo que sozinha
Ser suficiente para lhe libertar
Mesmo que a gaiola que lhe prende
Não seja palpável ou visível
Mesmo que, de fato, ela sequer exista 

E se, por ventura, essa esperança de fato lhe libertar
Então que esta seja responsável
Pelo novo propósito que lhe deste
Que permita a este pássaro um suspiro pleno de alívio
Que tome para si o fardo e a dor
Pois, se essa esperança não puder
Sustentar tamanho peso
Então que ela se vá
E não retorne jamais

Pois saiba, esperança, que não há dor pior
Nem para ti e nem para mim
Que a sensação falsa
De uma liberdade que
De fato
Jamais poderá ser vivida