Ao som das notas que o vento cria, debaixo daquela árvore eu me sentei,

Viajei em pensamentos e dos conceitos da sociedade eu me libertei...

Ao som das notas que o vento cria, na minha mente sigo a melodia,

E encontro na carcaça do bicho homem só orgulho e grande tirania...

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Conto sem nome

#1


   Era uma noite fria e chuvosa, o céu parecia um emaranhado de teias de aranha piscando de vez em vez - tempestade! 

   Na cama estava ela, transpirando feito uma pedra de gelo sob o sol, ela tremia tanto que por vezes achei que estava convulsionando. Seus cabelos grudavam na testa, no pescoço e nos ombros, os lençóis estavam encharcados pela sétima vez. Chamei a criada para vir trocá-los e apanhei a moça de cabelos negros em meus braços, não pesava quase nada, era tão magra e frágil como uma criança. A coloquei no sofá perto da janela, a qual abri uma fresta para que entrasse um pouco de ar.

   A luz dos candelabros a moça tinha uma pele pálida, como dessas jovens que mal tomam sol. Me lembrava a filha de um negociante famoso que evitava o sol a fim de manter a pele o mais alva possível. Algo muito estúpido, creio eu. Até que ponto estas jovens podem chegar por pura vaidade...? Mas esta dama misteriosa era pálida não por falta de sol, em uma das mãos notava-se a marca da ausência de um anel. 

   O que realmente me preocupava era o ferimento nas costas, que não parecia nada bom, o que já era de se esperar, uma facada não deixa só uma cicatriz enorme, a febre sempre vem antes, e se der azar a morte também.

   Eis que ainda não compreendi o que houve, desejo que esta dama misteriosa acorde logo para que possa me dar alguns esclarecimentos, afinal de contas, não é todo dia que alguém enfrenta a morte para me salvar!

   Ela tosse e quando dou por mim já estou em seu auxílio, envolvendo-a nos cobertores novamente. A tomo em meus braços mais uma vez e a coloca na cama. Sento-me no sofá perto da porta e recomeço a minha vigília. 

   Não percebi em que momento peguei no sono, apenas acordei com um estrondo e gotas de chuva sobre mim. Abri meus olhos e vi a janela escancarada, a cama vazia. 

   Corri feito louco pelos corredores, desci pulando as escadas e quando cheguei na soleira da porta pude ver pelo vidro a silhueta daquela dama misteriosa, sob a chuva forte.

   Nem pensei, apenas abri a porta e segui desesperado até ela. Quando a encontrei mal pude ver a cor de seus olhos, ela apenas desmaiou em meus braços. Mais uma vez eu a carregava até o quarto e a eixava sobre cama. 

   Pedi a criada que trouxesse roupas secas e a vestisse. Tranquei as janelas e a porta assim que a criada saiu. Eu não desejava de modo algum fazer mal à dama, mas precisava de respostas. Esperava sinceramente que o fato de ela ter tentado fugir se desse apenas pela febre, uma alucinação talvez, e não por medo de mim, o de quem quer que seja. 

   Mais do que respostas, eu precisava que ela sobrevivesse. Nunca ninguém dera a vida por mim, e logo ela, uma total desconhecida, se punha entre uma faca e eu para poupar minha vida. Eu devia a ela a vida que ela salvou e minha eterna gratidão. 

   Eu estava curioso. Quem seria ela, onde vivia, o que fazia... E por que, uma jovem tão bela, me salvaria? O que estaria ela fazendo naquele cais?!

   Percebi que eu a queri viva, não por ela, mas por mim. Eu a queria para mim...




terça-feira, 25 de julho de 2017

A dor que te acostuma

A dor que te acostuma

A primeira é a dor da fome
Logo no começo, depois de ver a luz e sentir o ar nos pulmões
Vem o choro
A gente sente fome e chorar é a nossa forma de expressão
Mas uma hora a gente aprende
Que o alimento vem, chorando ou não
E que o choro cansa e cansa de montão
Então com o tempo a gente para de chorar, e passa a esperar

A segunda dor vem com o sapato apertado
A falta de dinheiro faz a gente usar o que tem
No começo a gente reclama, mas ai percebe
Que o sapato apertado dói menos que um pé descalço
E a gente aprende que entre uma e outra, melhor a que menos doa

A terceira é a do machucado
No começo a gente chora, e chora de verdade
A água que limpa a ferida faz doer também
E a bronca que vem da mãe também faz doer
Mas com o tempo a gente aprende que chorar não faz a dor parar
Que a ferida vai surgir e com o tempo vai sarar
E a gente aprender a esconder as feridas
Pra não levar mais broncas
E com isso a gente percebe que nem tudo quer contar pros pais
Que às vezes lidar sozinho é menos doloroso
Do que ter que mostrar a ferida e correr o risco de apanhar

E a quarta vem com mais idade
Quando a rebeldia faz a gente não obedecer
Deixar a blusa ou o guarda chuva em casa
Ou quando a gente só não quer ouvir
E o que foi dito acontece, e a gente já sabia
Tudo isso porque a mãe já dizia
Mas ai a gente aprende que não basta ouvir,
Que a vida foi feita pra levantar e cair

Mas a quinta quando vem, vem e a gente nem sabe
Quando o peito dói e a garganta aperta
E a gente nunca sabe se é de verdade
O medo que vem junto é o que mais espanta
E vem como uma canção que ninguém canta
Mas ai a gente já aprendeu a se acostumar com a dor
A gente aprende a não chorar, porque cansa
Aprende e não reclamar, porque é melhor a menor dor
Aprende que mesmo se ouvir, um dia a gente vai cair
E depois de se acostumar tanto com a dor
A gente acaba deixando passar o amor
Mas não tem problema,
Desde o começo a gente aprendeu a se acostumar
E no fim o amor será só mais uma dor

By: Angelique Chalard - JRC - Psique

terça-feira, 13 de junho de 2017

Novidades!

Como é bom estar de volta!

Não fiquem bravos, por favor! Houveram tantas e tantas coisas que faltou tempo!

Mas agora retornamos e aqui estamos!

Aguardem, pois novidades virão finalmente, e muitas postagens legais com a continuação de todos os antigos projetos!

Até mais :D

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Meu Coração

Meu coração é uma chama acesa
Ele balança conforme o vento
Mas não se apaga com tanta facilidade

Meu coração é uma tempestade
Ele é avassalador e impetuoso
E na acalma percebe o estrago que fez

Meu coração é um carrasco
Que me condena a uma vida de insensatez
E no fim se entrega ao caos feito um soldado ferido

Meu coração, ah meu pobre coração
Que ama como se não houvesse o amanhã
E não me deixa outra escolha, se não amar.