Nem o sol queimando sua pele
Nem a água pingando em seu rosto
Seus pés sangravam de tanto caminhar
A exaustão não era mais um incômodo
Depois de tanto, e por tanto
Ainda insistia em prosseguir
Em frente, sempre em frente
Sem parar, sem cair
As vozes das outras pessoas
Diziam sempre para ser forte
Todo o tempo, toda a vida
Os olhos das outras pessoas
Cobravam atitude, imposição
Que fosse firme toda a vida
Não perguntavam se estava feliz
Ou se estava bem
Porque seus reais sentimentos
Não importavam pra ninguém
Tudo o que queria era parar
Jogar a toalha, chutar o balde
Descer do salto, perder a classe
Mas o mundo pedia outra coisa
O mundo queria que fosse a perfeição
E mesmo com os pés sangrando
Mesmo com tamanha dor
Continuava sempre em frente
Embebendo-se de torpor
By.: JRC
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