- Ei! Espere! – Gritou e correu para
alcançá-la.
Ada tentou acelerar os passos, sabia que
não seria certo permitir que o rapaz se aproximasse dela como ele provavelmente
queria.
- Ei! Calma ai! – Disse Carlos puxando
Ada pelo braço.
- Ei você! Vai me seguir é? – Ada estava
nervosa, mais pelo fato de que nunca havia conversado tanto tempo sozinha com
um rapaz, e este rapaz estava correndo atrás dela agora. E talvez também pelo
fato de que ela estava começando a se interessar por ele de um modo diferente,
um modo que ela não podia permitir.
- Talvez. Você mora há cinco quadras do
consultório do Doutor Mathias, e de lá até aqui já foram mais duas quadras,
portanto você está bem longe de casa pra ir sozinha. Vem que eu te dou uma
carona. – Carlos estendeu a mão para Ada com os olhos brilhando em expectativa.
Ada permaneceu em silêncio por alguns
instantes. Sabia que não deveria se aproximar muito de Carlos,mas havia alguma
coisa nos olhos do rapaz que a fazia querer testar até onde aquela situação se
estenderia.
- Você não vai tentar nada do tipo
sequestro ou roubo de órgãos, não é mesmo? - Disse aceitando a mão do rapaz.
Carlos riu e segurou firme a mão de Ada.
O sorriso era sincero e cheio de boas – ou más – intenções.
- Prometo que não vou te dopar e te
deixar acordar em um quarto velho, sujo e cheio de cobaias humanas. – Ele diz
segurando firme a mão de Ada.
O carro de Carlos estava estacionado há
duas quadras do Café Sweet Monn – um Civic preto e com um adesivo no pára-choque
de trás com a inscrição “Seta não é cú,
dê sem medo!”.
- Quanta originalidade! – Disse Ada
ironicamente ao ver a inscrição.
Carlos riu e desativou o alarme, abrindo
a porta do passageiro para Ada e indicando o assento.
Uma vez dentro do carro ambos
emudeceram. O espaço mínimo entre ambos fazia o coração, tanto de Carlos quanto
de Ada, acelerar. Ada tentou quebrar o gelo perguntando onde Carlos havia
conseguido a concha pendurada no retrovisor.
- É uma raridade encontrar uma dessas. –
Disse ela tocando a concha delicadamente com a ponta dos dedos.
Ada amava tudo o que tivesse a ver com o
mar, justamente por se tratar da maior paixão de sua vida, a qual ela, talvez,
jamais poderia conquistar. Seus olhos brilhavam enquanto admirava a concha
espiralada e cheia de pontas.
- Deve ser incrível ver o mar de perto,
poder mergulhar e sentir a areia sob seus pés...
Carlos reduziu a velocidade, já estava
próximo de onde Ada supostamente morava.
- Você nunca foi à praia? – Perguntou um
pouco incrédulo.
Ada negou com a cabeça e então voltou a
se encostar ao banco, com olhar perdido no céu que já estava repleto de estrelas.
Não era preciso ser um expert para perceber que esse assunto aborrecia Ada, na
verdade muitos assuntos a aborreciam, mas este era sem dúvidas o pior deles.
- Pode parar o carro aqui. – Disse ela
apontando para um prédio de maios ou menos 10 andares.
Carlos parou rente a guia e desligou o
carro, olhando curioso para o prédio.
- Você mora aqui? – Perguntou com um
sorriso que dizia “agora sei onde te encontrar”.
- Algum problema com o prédio onde eu
moro?- Ada perguntou erguendo uma das sobrancelhas, gesto que Carlos achou uma
graça.
- Não, imagine. Só fiquei curioso. –
Disse erguendo as mãos num gesto defensivo.
Carlos desceu do carro assim que Ada o
fez, então deu meia volta no mesmo e ficou frente a frente com Ada.
- Já pode ir agora. – Disse Ada procurando
as chaves dentro do bolso do sobretudo.
Carlos ficou esperando enquanto Ada
encontrava as chaves.
- Passo aqui amanhã às sete ou antes? –
Disse cruzando os braços sobre o peito.
Ada parou de procurar as chaves e olhou
diretamente para Carlos, com uma típica sobrancelha erguida.
- Como é que é? Do que você está
falando? – Disse com um sorriso de deboche nos lábios.
- Do nosso café, do que mais eu estaria
falando? – Carlos rebateu sem perder tempo, estava decidido a sair com Ada
novamente.
Ada alcançou as chaves e as tirou do
bolso, tomando-as na mão se dirigiu para o portão do prédio onde morava. Carlos
a seguiu.
- Desculpa, mas não vai rolar. A gente
não vai se ver de novo. – Disse enquanto tentava deslizar a chave certa na
fechadura do portão velho do prédio.
Carlos parou por um momento, tentava
encontrar palavras para rebater o que a moça linda a sua frente estava lhe
dizendo. Como convencê-la a sair com ele outra vez?
- Você não gosta da minha companhia? –
Finalmente perguntou, totalmente confuso e com medo da resposta.
Ada respirou fundo. Como explicar a ele?
Como fazê-lo entender? Pensava que havia sido uma tola por ter deixado esse
suposto encontro casual e sem importância ter ido tão longe. E agora ela mesma
estava envolvida nisso de um jeito que não desejava... Ao menos não podia
desejar.
***

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