A dor que te acostuma
A primeira é a dor da fome
Logo no começo, depois de ver a luz e sentir o ar nos pulmões
Vem o choro
A gente sente fome e chorar é a nossa forma de expressão
Mas uma hora a gente aprende
Que o alimento vem, chorando ou não
E que o choro cansa e cansa de montão
Então com o tempo a gente para de chorar, e passa a esperar
A segunda dor vem com o sapato apertado
A falta de dinheiro faz a gente usar o que tem
No começo a gente reclama, mas ai percebe
Que o sapato apertado dói menos que um pé descalço
E a gente aprende que entre uma e outra, melhor a que menos doa
A terceira é a do machucado
No começo a gente chora, e chora de verdade
A água que limpa a ferida faz doer também
E a bronca que vem da mãe também faz doer
Mas com o tempo a gente aprende que chorar não faz a dor parar
Que a ferida vai surgir e com o tempo vai sarar
E a gente aprender a esconder as feridas
Pra não levar mais broncas
E com isso a gente percebe que nem tudo quer contar pros pais
Que às vezes lidar sozinho é menos doloroso
Do que ter que mostrar a ferida e correr o risco de apanhar
E a quarta vem com mais idade
Quando a rebeldia faz a gente não obedecer
Deixar a blusa ou o guarda chuva em casa
Ou quando a gente só não quer ouvir
E o que foi dito acontece, e a gente já sabia
Tudo isso porque a mãe já dizia
Mas ai a gente aprende que não basta ouvir,
Que a vida foi feita pra levantar e cair
Mas a quinta quando vem, vem e a gente nem sabe
Quando o peito dói e a garganta aperta
E a gente nunca sabe se é de verdade
O medo que vem junto é o que mais espanta
E vem como uma canção que ninguém canta
Mas ai a gente já aprendeu a se acostumar com a dor
A gente aprende a não chorar, porque cansa
Aprende e não reclamar, porque é melhor a menor dor
Aprende que mesmo se ouvir, um dia a gente vai cair
E depois de se acostumar tanto com a dor
A gente acaba deixando passar o amor
Mas não tem problema,
Desde o começo a gente aprendeu a se acostumar
E no fim o amor será só mais uma dor
By: Angelique Chalard - JRC - Psique
A arte de escrever pertence apenas aos que conseguem se entregar verdadeiramente a ela.
Ao som das notas que o vento cria, debaixo daquela árvore eu me sentei,
Viajei em pensamentos e dos conceitos da sociedade eu me libertei...
Ao som das notas que o vento cria, na minha mente sigo a melodia,
E encontro na carcaça do bicho homem só orgulho e grande tirania...
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