Engaiolados
Poderia então
Um pássaro engaiolado
Desprovido de alegria
Sentir o peito queimar em vida
Com o simples piar de uma esperança
Que canta uma canção triste
Em uma gaiola ao lado?
Pois, se pode então
A esperança lhe tocar tão fundo
Que essa esperança possa
Mesmo que sozinha
Ser suficiente para lhe libertar
Mesmo que a gaiola que lhe prende
Não seja palpável ou visível
Mesmo que, de fato, ela sequer exista
E se, por ventura, essa esperança de fato lhe libertar
Então que esta seja responsável
Pelo novo propósito que lhe deste
Que permita a este pássaro um suspiro pleno de alívio
Que tome para si o fardo e a dor
Pois, se essa esperança não puder
Sustentar tamanho peso
Então que ela se vá
E não retorne jamais
Nem para ti e nem para mim
Que a sensação falsa
De uma liberdade que
De fato
Jamais poderá ser vivida
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