Ao som das notas que o vento cria, debaixo daquela árvore eu me sentei,

Viajei em pensamentos e dos conceitos da sociedade eu me libertei...

Ao som das notas que o vento cria, na minha mente sigo a melodia,

E encontro na carcaça do bicho homem só orgulho e grande tirania...

terça-feira, 9 de junho de 2015

## Lendas Urbanas / Contos Populares - A Loira do Banheiro ##


*** Talvez esta não seja a primeira lenda sobre a Loira do Banheiro, mas certamente é a mais recente. ***

Ninguém nunca conseguiu explicar o que aconteceu naquele dia. Ana era uma moça muito linda, com o corpo bem ao estilo modelo – curvas bem definidas e estratégicas. A aluna mais inteligente do segundo ano da escola, e a mais cobiçada também. Ela não era esnobe, mas se recusava a sair com qualquer colega de classe, mesmo com as amigas – alegava que a família era religiosa, e que não podia desapontar os pais, que a faziam seguir sempre o mesmo trajeto: escola-casa, casa-escola.
Naquela quinta-feira alguns alunos do terceiro ano combinaram de matar a aula de história – a professora de quase sessenta anos nem sentiria falta deles – e então se encontraram os cinco colegas no refeitório. A pobre Ana teve a infelicidade de acabar cruzando com os colegas da outra turma. Como boa aluna que era, denunciou o ato à direção da escola, que suspendeu os alunos por cinco dias.
E assim aconteceu. Porém, passados os cincos dias, na sexta-feira da semana seguinte, os colegas de Ana resolveram que ela deveria ser castigada por ter dedurado os cinco amigos.
Aguardaram soar o sinal da última aula e ficaram esperando a garota na porta da sala dela. Como Ana sempre foi muito estudiosa, sempre ficava até depois do horário das aulas para estudar mais. Porém naquela sexta-feira ela não ria estudar.
Os cinco amigos arrastaram Ana para o banheiro feminino, onde o som dos gritos da garota seria abafado. O mais forte segurou Ana enquanto dois batiam nela. O outros dois cortaram seus longos cabelos loiros com um estilete.
O mais velho, que havia sido rejeitado por ela semanas antes, aproveitou para abusar dela violentamente, enquanto dois amigos a seguravam e outros dois filmavam tudo. Não satisfeitos, cortaram braços e pernas da garota, fazendo assinaturas, como se o corpo da garota fosse um muro com pichações. Mas eles não pararam por aí, enfiaram a cabeça de Ana dentro do vaso sanitário e deram três descargas, enquanto ela batia desesperadamente na porta do box.
Os garotos só pararam a “brincadeira” quando o corpo de Ana parou de se mexer. Só então se deram conta da atrocidade que haviam cometido, com o corpo imóvel e ensanguentado de jovem no chão do banheiro.
Agora já era tarde, não podiam fazer mais nada. Desesperados, limparam as evidências e recolheram o corpo, o escondendo dentro de um freezer no laboratório de ciências da escola, que estava interditado. Esperariam até o dia seguinte – sábado – para se livrarem do corpo, até lá teriam pensado em um lugar onde nunca fosse encontrado.
No caminho para casa os cincos jovens ouviram em suas mentes uma última vez os gritos e apelos da colega de turma.
No dia seguinte, após o anoitecer, invadiram a escola e foram até o laboratório, onde haviam deixado o corpo da colega. Porém, o corpo não estava mais lá. Então ouviram um barulho vindo do corredor, e quando correram para ver viram o vulto de uma garota descendo as escadas para o andar dos banheiros.  Pensaram ser a própria colega, que por milagre houvesse sobrevivido e correram para alcançá-la. Chegando ao banheiro todos os box estavam abertos, com exceção de um.
Os cinco amigos se aproximaram do box e ouviram três descargas, e em seguida três batidas. Apavorados perguntaram quem estava lá dentro, e empurraram a porta. Estava vazio. Então ouviram um gemido e num reflexo se viraram para olhar. Ali, no espelho, estava Ana, suja, ensanguentada e pálida, feito um cadáver.
Paralisados de medo, a única coisa que conseguiram pronunciar fora o nome da colega. Ana estava morta, mas estava de pé, na frente dos cinco garotos.
O corpo de Ana nunca foi encontrado. Quatro dos cinco garotos receberam uma marca no antebraço: MS, e foram internados em um hospital psiquiátrico com visíveis sinais de perturbação e esquizofrenia. O quinto garoto, o que fora mais cruel, morrera afogado da mesma forma que Ana, com cortes de estilete em todo o corpo.
 Ninguém nunca conseguiu explicar o que aconteceu naquele dia. Desde aquele dia todos falavam sobre o desaparecimento da loira mais linda da escola. O assassinato do quinto garoto nunca foi esclarecido e, desde o horrível incidente, toda garota que entra no banheiro feminino daquela escola - sozinha – ouve gemidos e pancadas na porta, as mesmas pancadas que Ana desferiu enquanto se debatia tentando tirar a cabeça do vaso e respirar. E se uma garota, ou um garoto, der três descargas, bater três vezes na porta e chamar pela loira, Ana aparece. Entretanto, ela nunca vai embora sem levar alguém com ela...

O nome de Ana foi esquecido com o tempo, por isso muitos passaram a chamá-la de Maria Sangrenta, por conta das inicias que ela deixava no antebraço de suas vítimas.



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