*** Talvez esta não seja a primeira lenda sobre a Loira do Banheiro, mas certamente é a mais recente. ***
Ninguém nunca conseguiu
explicar o que aconteceu naquele dia. Ana era uma moça muito linda, com o corpo
bem ao estilo modelo – curvas bem definidas e estratégicas. A aluna mais
inteligente do segundo ano da escola, e a mais cobiçada também. Ela não era
esnobe, mas se recusava a sair com qualquer colega de classe, mesmo com as
amigas – alegava que a família era religiosa, e que não podia desapontar os
pais, que a faziam seguir sempre o mesmo trajeto: escola-casa, casa-escola.
Naquela quinta-feira alguns
alunos do terceiro ano combinaram de matar a aula de história – a professora de
quase sessenta anos nem sentiria falta deles – e então se encontraram os cinco
colegas no refeitório. A pobre Ana teve a infelicidade de acabar cruzando com
os colegas da outra turma. Como boa aluna que era, denunciou o ato à direção da
escola, que suspendeu os alunos por cinco dias.
E assim aconteceu. Porém,
passados os cincos dias, na sexta-feira da semana seguinte, os colegas de Ana
resolveram que ela deveria ser castigada por ter dedurado os cinco amigos.
Aguardaram soar o sinal da
última aula e ficaram esperando a garota na porta da sala dela. Como Ana sempre
foi muito estudiosa, sempre ficava até depois do horário das aulas para estudar
mais. Porém naquela sexta-feira ela não ria estudar.
Os cinco amigos arrastaram Ana
para o banheiro feminino, onde o som dos gritos da garota seria abafado. O mais
forte segurou Ana enquanto dois batiam nela. O outros dois cortaram seus longos
cabelos loiros com um estilete.
O mais velho, que havia sido rejeitado
por ela semanas antes, aproveitou para abusar dela violentamente, enquanto dois
amigos a seguravam e outros dois filmavam tudo. Não satisfeitos, cortaram
braços e pernas da garota, fazendo assinaturas, como se o corpo da garota fosse
um muro com pichações. Mas eles não pararam por aí, enfiaram a cabeça de Ana
dentro do vaso sanitário e deram três descargas, enquanto ela batia desesperadamente
na porta do box.
Os garotos só pararam a “brincadeira”
quando o corpo de Ana parou de se mexer. Só então se deram conta da atrocidade
que haviam cometido, com o corpo imóvel e ensanguentado de jovem no chão do
banheiro.
Agora já era tarde, não podiam
fazer mais nada. Desesperados, limparam as evidências e recolheram o corpo, o
escondendo dentro de um freezer no laboratório de ciências da escola, que
estava interditado. Esperariam até o dia seguinte – sábado – para se livrarem
do corpo, até lá teriam pensado em um lugar onde nunca fosse encontrado.
No caminho para casa os cincos
jovens ouviram em suas mentes uma última vez os gritos e apelos da colega de
turma.
No dia seguinte, após o
anoitecer, invadiram a escola e foram até o laboratório, onde haviam deixado o
corpo da colega. Porém, o corpo não estava mais lá. Então ouviram um barulho
vindo do corredor, e quando correram para ver viram o vulto de uma garota
descendo as escadas para o andar dos banheiros. Pensaram ser a própria colega, que por milagre
houvesse sobrevivido e correram para alcançá-la. Chegando ao banheiro todos os
box estavam abertos, com exceção de um.
Os cinco amigos se aproximaram
do box e ouviram três descargas, e em seguida três batidas. Apavorados
perguntaram quem estava lá dentro, e empurraram a porta. Estava vazio. Então
ouviram um gemido e num reflexo se viraram para olhar. Ali, no espelho, estava
Ana, suja, ensanguentada e pálida, feito um cadáver.
Paralisados de medo, a única
coisa que conseguiram pronunciar fora o nome da colega. Ana estava morta, mas
estava de pé, na frente dos cinco garotos.
O corpo de Ana nunca foi
encontrado. Quatro dos cinco garotos receberam uma marca no antebraço: MS, e
foram internados em um hospital psiquiátrico com visíveis sinais de perturbação
e esquizofrenia. O quinto garoto, o que fora mais cruel, morrera afogado da
mesma forma que Ana, com cortes de estilete em todo o corpo.
Ninguém nunca conseguiu explicar o que
aconteceu naquele dia. Desde aquele dia todos falavam sobre o desaparecimento
da loira mais linda da escola. O assassinato do quinto garoto nunca foi
esclarecido e, desde o horrível incidente, toda garota que entra no banheiro
feminino daquela escola - sozinha – ouve gemidos e pancadas na porta, as mesmas
pancadas que Ana desferiu enquanto se debatia tentando tirar a cabeça do vaso e
respirar. E se uma garota, ou um garoto, der três descargas, bater três vezes
na porta e chamar pela loira, Ana aparece. Entretanto, ela nunca vai embora sem
levar alguém com ela...
O nome de Ana foi esquecido com
o tempo, por isso muitos passaram a chamá-la de Maria Sangrenta, por conta das
inicias que ela deixava no antebraço de suas vítimas.
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