Ao som das notas que o vento cria, debaixo daquela árvore eu me sentei,

Viajei em pensamentos e dos conceitos da sociedade eu me libertei...

Ao som das notas que o vento cria, na minha mente sigo a melodia,

E encontro na carcaça do bicho homem só orgulho e grande tirania...

quarta-feira, 17 de junho de 2015

-- Não Existe Honra Entre Assassinos - Parte II: O Homem Gordo --


Era um dia de verão, e Mary Ann estava deitada sobre uma esteira tomando sol. Impossível não notá-la, tão linda e atraente em meio a tantas mulheres comuns. Não consegui não me enfeitiçar por ela.

Eu estava olhando pela janela do quarto, admirando o mar quando a vi. Não é como se eu a estivesse procurando, mas foi como se eu houvesse encontrado alguém que havia perdido de vista a muito tempo.

Mary Ann era mais uma hóspede naquele hotel, assim como eu e minha esposa Lúcia. Sou casado há sete anos e amo minha esposa mais que tudo na vida, porém não serei hipócrita e dizer que aquela morena de olhos acinzentados não me atraiu com todas aquelas curvas perfeitas e perigosas.

Perigosa, esta é a palavra. Mary Ann era extremamente perigosa, e eu só me dei conta disso quando já era muito tarde...

Lúcia e eu estávamos revivendo nossa lua de mel, visitando os mesmos lugares e pousando nos mesmos hotéis. Estávamos em Negril – Jamaica, no Travellers Beach Resort quando vi Mary Ann pela primeira vez.

Mary Ann devia ter não mais que vinte e cinco anos, não era muito alta, sua pele era bronzeada e seus cabelos levemente cacheados chegavam à linha do quadril. E que quadril! Seu corpo era uma combinação de seios fartos e um quadril enorme. Linda talvez não seja uma palavra boa o suficiente para defini-la.  Ela sabia exatamente como seduzir, não havia um homem em todo aquele hotel que não ficasse de queixo caído ao vê-la passar, e que não babasse quando ela passava perto demais.  

Lúcia também era linda, tinha descendência Polonesa então sua pele era bem clara, seus olhos amendoados se destacavam no rosto fino e entre as bochechas rechonchudas, seus cabelos eram castanho-avermelhados  e na altura dos ombros. Ela era pequena e miúda, tinha a cintura fina, mas o seios eram pequenos e quadril estreito.  Lúcia parecia uma boneca de porcelana, e eu a chamava de boneca exatamente por isso.

- Onde quer ir hoje bonequinha? – Pergunto enquanto Lúcia se olha na frente do enorme espelho ao lado da porta do nosso quarto. Estamos em uma suíte não muito grande, já que não fazemos muita questão que ficar dentro do hotel.

- Quero dar uma volta na praia amor. Depois vou deixar você livre, tenho que comprar os presentes da mamãe e do papai. – Ela diz enquanto prende uma flor azul marinho no cabelo, deixando-o de lado como tanto gosto.

 Abraço-a por trás e beijo seu pescoço, ela se vira e me abraça então nos beijamos apaixonadamente por alguns minutos.

Lúcia apanha a bolsa sobre a mesinha de canto e pega minha mão, me puxando para fora do quarto, ansiosa pelo nosso passeio.

 Assim que chegamos ao saguão do hotel avisto Mary Ann sentada em um dos banquinhos de madeira do bar, tomando um drink.  Lúcia me pede para aguardar no saguão, pois havia esquecido a carteira.

- Pegue algo para bebermos enquanto subo. Prometo não demorar. – Ela me dá um beijo casto e sobe apressada para a nossa suíte.

Sigo até o bar e procuro ficar longe de Mary Ann – fico excitado só de olhar pra ela, por isso não quero dar bandeira e menos ainda correr o risco de cair na tentação.

Até então eu não sabia qual era o nome dela, fiquei sabendo alguns dias depois quando eu me tornei o número sete de sua lista.

- O que vai querer senhor? – Me pergunta o garçom com um sotaque ridículo.

Dou uma olhada pelas prateleiras para ver o que ele tem e acabo decidindo pedir um clássico meu e de Lúcia.

- Dois Dry Martinis, por favor. – Digo finalmente me sentando.

Mary Ann nem me notou e fico feliz por isso, pois se ela puxasse papo agora e sorrisse pra mim, eu certamente pediria seu telefone e o número do quarto.

Enquanto viajo em pensamentos, tentando manter a cabeça longe das coxas à mostra de Mary Ann, um senhor gordo de uns cinquenta anos se senta entre nós dois, bem ao lado de Mary Ann. O homem gordo puxa assunto com ela, perguntando se está gostado do hotel e se gabando de já ter se hospedado em melhores. Mary Ann não dá muita atenção para ele, continua seu drink sem sequer olhá-lo diretamente. Isso está começando a me incomodar...

Quando percebeu que estava sendo ignorado o homem gordo tentou puxar assunto comigo, o que me aliviou, pois já não sabia mais o que fazer para desviar a atenção das pernas de Mary Ann.

- É sua primeira vez no hotel? – Ele me pergunta. Respondo que não e digo que estou revivendo a minha viagem de lua de mel. Não sei o que foi que eu disse de tão interessante, mas Mary Ann passou a prestar atenção na nossa conversa.

- Bom, eu já fui casado algumas vezes e pra ser sincero não gosto da coisa. A mesma mulher todos os dias não faz o meu estilo, gosto de acordar e ver uma coisinha diferente pra variar. – Então ele estende sua mão – Prazer, meu nome é Robert.

- O meu é Pierre. – Digo apertando-a firme.

Mary Ann se vira para Robert e inclina os ombros para frente, fazendo seu decote ficar maior, então puxa o drink que ele estava bebendo para si e da um gole.

- Loco Loco? Que escolha peculiar para um drink. – Ela ri enquanto devolve o drink para Robert que praticamente baba em seus seios.

- Com certeza eu sou bem peculiar, senhorita. – Robert diz tomando um gole em seu drink, exatamente onde Mary Ann deixara uma marca de batom.

Mary Ann levanta um pouco o vestido e descruza as pernas, deixando aparecer algo que eu temia muito olhar: ela estava sem calcinha. Então ela desce do banco de madeira e apanha a bolsa sobre o balcão.

- Pode me chamar de Mary, Robert.

Robert engasga e quase deixa seu copo cair.

- Será que o senhor poderia me ajudar com a porta da minha suíte? Ela está emperrando e não consigo abri-la sozinha. – Disse Mary Ann enquanto mordia o canto direito do lábio inferior.

Robert mais que depressa se levanta e se despede de mim. Os dois seguem juntos até as escadas de onde Mary Ann me olha disfarçadamente e sorri enquanto ajeita a barra do vestido, o que me deixa muito excitado e extremamente confuso.

Finalmente Lúcia aparece e se senta ao meu lado.

- Desculpe amor, eu não estava encontrando.

Lúcia começa a tomar seu Dry Martini e falar sobre os presentes que vai comprar para a família. Eu mal presto atenção, fico imaginando como Mary Ann deve ser na cama, então minha consciência me dá um soco e eu me arrependo de ter ido tão longe na minha imaginação.

- Vamos querido? – Nem percebi que Lúcia já havia terminado seu drink.

Me levanto e lhe dou o braço para ela se encaixar – somos um casal bem à moda antiga. Seguimos até a praia e caminhamos um pouco. Tentei lhe dar o máximo da minha atenção, mas no fundo não conseguia me concentrar em nós dois, minha cabeça viajava e eu me pegava imaginando como Mary Ann devia ser debaixo daquele vestido.

Lúcia e eu logo nos separamos – ela foi fazer compras e eu resolvi voltar para o hotel. Para minha surpresa logo que entrei no saguão vi Mary Ann, novamente no bar. Fiquei imaginando quanto tempo demorei na praia com Lúcia e se nesse intervalo havia dado tempo para os Mary Ann e o gordão do Robert transarem. Nem percebi que eu já estava me sentando ao lado dela.

- Conseguiu resolver o problema com a porta do seu quarto? – Perguntei sem olhar para ela.

Mary Ann me olhou surpresa e sorriu. Que porra, já fiquei excitado de novo, só de vê-la sorrir. Uma parte de mim quer sair do bar, respeitar os votos que fiz com Lúcia e ficar longe do perigo que Mary Ann representa para o meu casamento, entretanto outra parte quer ficar e transar com ela em cima do balcão desse bar.

- Olá novamente. – Ela me disse enquanto jogava os cabelos do lado oposto ao meu, possibilitando uma visão mais limpa de seu pescoço e de seu decote – Não, ainda não consegui resolver o problema com a porta do meu quarto.

Peço um whisky com gelo e apoio os cotovelos no bar, tentando evitar a visão que está de me deixando cada vez mais de pau duro.

- Você deveria reclamar na portaria ou pedir para uma das arrumadeiras dar um jeito. – Digo enquanto dou um gole no meu Jack Daniel’s tentando disfarçar o problema enorme e crescente no meio das minhas pernas.

Mary Ann da um sorriso clássico de segundas intenções e me responde que não gosta de causar problemas desnecessários aos empregados.

- Eles já tem muito com o que se preocupar. – Ela afirma antes de tomar o último gole de seu drink, que parecia ser um Dry Martini.

Sorrio para ela e deposito meu copo sobre o balcão. Estou muito nervoso e não me aguentando de tanta excitação que ela está me causando. Então ela me faz uma pergunta que me desconcertou:

- Será que você poderia me ajudar com a porta da minha suíte? – Ela disse enquanto cruzava as pernas vagarosamente.

- Sinto muito, não vou poder ajudá-la. Como lhe disse, acho melhor pedir para uma das arrumadeiras dar um jeito, ou então informe à recepção. - Nem pensei direito, apenas falei e em seguida informei o número do meu quarto ao garçom para que ele colocasse a bebida na conta do mesmo. Desci do banco, dei meia volta e segui em direção às escadas, sem nem olhar para ela, sabia que se olhasse para ela acabaria cedendo à tentação.

Na verdade eu jamais conseguiria dizer que sim, eu amava minha esposa, demais, de uma forma que só quem ama entende, mesmo que no fundo eu desejasse transar com Mary Ann até não poder mais, e isso não significa que amava menos a minha esposa.  Porém se eu soubesse que isso a instigaria e a faria fazer o que fez, eu jamais teria dito que não.



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